:: Aleatório nada. ::

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:: Quinta-feira, Abril 05, 2007 ::

XVIII


Pequenos pensamentos


Sinto que há muito a ser vivido.
De que serve a vida senão passatempo cotidiano enquanto se espera a morte?

É como se eu não coubesse mais dentro de mim. E por não caber, tentasse adentrar cada vez mais em mim mesmo: sem sucesso.

Tudo, num minuto, passou a perder o sentido de todas as horas e todo o tempo conseguiu se resumir em alguns instantes.

De fato, já não sei mais se sou o que eu planejara ser há tempos. A existência se colocou em cheque de uma tal forma que já não se sabia mais como acontecia ou vinha acontecendo.
Acontecia assim: num existir vazio.

Eu vejo que contar-me para mim mesmo será inútil, visto que já não sei mais como começar a história de mim.
:: Victor Sala 2:31 AM [+] ::
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:: Sábado, Março 17, 2007 ::

XVII



E tudo o que eu queria dizer saia do meu corpo através de lágrimas.
Queria dizer que eu não aguento mais. Caiu uma lágrima.
Queria dizer que eu não quero ficar num pingue-pongue....e caiu mais uma.
Queria dizer que o amo muito...e muitas cairam...muitas...você não sabe o quanto!
Queria dizer...que odeio. Que por trás desse coração grande, há um ódio incrível de tanta coisa...tanta coisa, mundo...
Caiu um rio.
Também queria dizer que eu não sou forte o suficiente...queria dizer para ele tudo o que está guardado em mim há 15 anos...15 anos...mais de 3650 dias. E 3560 lágrimas cairam, dessa vez.
E queria dizer que .... que não há nada a se dizer, no final.
E uma piscina de lágrimas caiu.
Então me afoguei na minha própria tristeza.
:: Victor Sala 9:51 PM [+] ::
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:: Quarta-feira, Março 14, 2007 ::

XVI



Vingança
de Francisco Mattoso e José Maria de Abreu
com Mônica Salmaso

Lá na beira do roçado,
Onde a tristeza não vem
Eu vivia sossegado
Com a viola do meu lado
Mais feliz do que ninguém

Numa festa no arraiá
Vi dois óio a me olhá
Decidi no improviso,
Ela me deu um sorriso
E comigo foi morar

Nunca mais fui cantador
E a viola descansou
Eu vivia pra cabocla,
Eu vivia pra cabocla
Só pensava em meu amor

Nunca fui feliz assim
Eu mesmo disse pra mim,
Pensei que a felicidade,
Pensei que a felicidade
Não pudesse ter um fim

Mas um dia a malvada
Foi-se embora e me esqueceu
Com um caboclo decidido,
Juca Antônio conhecido
Cantador mais do que eu

Já cansado de esperar,
Desisti de procurar
A cabocla que um dia
Levou minha alegria
Eu jurei de me vingar

Numa festa fui cantar
E a mulata tava lá
Juro por Nossa Senhora
Juro por Nossa Senhora
Que a cabocla eu quis matar

Mas fiquei sem respirar
Quando vi ela dançar
Ela tava tão bonita,
Ela tava tão bonita
Que esqueci de me vingar
:: Victor Sala 11:42 PM [+] ::
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:: Quinta-feira, Março 08, 2007 ::

XV



Não estou dividido entre nada, mas a melhor coisa a se fazer é ficar em cima do muro, pensando.
E o que há em mim é, sobretudo, cansaço.
:: Victor Sala 7:17 PM [+] ::
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:: Sexta-feira, Março 02, 2007 ::

XIV



Ela olhava a família da maneira que antigamente seria por cima (garfada) de seus óculos, se não tivesse botado lentes de contato. Na verdade, ela se sentia (garfada) mal por estar ali e não sabia ao certo se eram as pessoas ou a música (ela (garfada) odiava Calypso) ou ainda se era o choro preso no seu abdômem contraído. (garfada).
Na verdade, o que havia dentro dela era (garfada), sobretudo, saudade de sua queria Viviane, a menina (garfada) que conhecera havia uns cinco dias. Lígia se sentia meio boba por ter (garfada) gostado de alguém tão rápido assim, mas acontecia...e aconteceu (garfada).
Sua vontade de sair dali era tão grande que (garfada) ela seria capaz de gritar. Mas a única coisa que fez foi levantar sem dar um pio com ninguém, como fez durante todo o almoço. Levantou-se, colocou os pratos na pia e deitou-se no sofá para tentar esquecer toda aquela bobeira.
E ela realmente odiava Calypso.
Até dormir.
:: Victor Sala 2:39 PM [+] ::
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:: Terça-feira, Fevereiro 27, 2007 ::

XIII



Deitado naquela rede, tudo parecia abismo.
E meu pai me empurrava.
:: Victor Sala 5:56 PM [+] ::
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:: Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007 ::

XII



Ela passou a tarde ali, naquele banco de madeira meio malfeito, mas que de certa forma era agradável de se sentar e admirar a paisagem pobre. Ela observava os poucos transeuntes do local, uma cidadela praiana sem graça.
Ela não vira muitas coisas ali, sentada no banco. Vira, certa hora um menino bonito que viera com o pai, de carro comprar gelo e saíra, sem dar uma palavra com ela. Uma bela história de amor. Ele chega, não olha para ela, não fala com ela, vai embora sem notá-la e tudo fica por isso mesmo. Ela se riu.
Lá, sentada, ela não tinha muitas preocupações. No máximo em não parecer muito vulgar do jeito que estava vestida. Não que estivesse, de fato, vulgar, mas não sabia muito sobre aquela região e aquela igreja evangélica a incomodava. Até que se sentiu reconfortada pela menina que passava com shorts de, no máximo, quinze centímetros.
Um carro anunciando o circo passou e ela lembrou que havia um bom tempo que não ia num (ah, como sinto falta do pronome Y, como no francês), até porque pensava que não resistiria e fugiria a trabalhar com os palhaços, trapezistas e malabaristas. Não que tivesse habilidade, mas...enfim.
Não que ela gostasse de fuxicos, mas ela achava tão engraçada e curiosa a conversa dos (pré-)adolescentezinhos vizinhos seus.
E os (pré-)adolescentezinhos conversando lembravam-na que seu aniversáario que aproximava, mesmo que não estivesse nem um pouco animada com isso, afinal sabia que ninguém a ligaria.
Seus próximos dezesseis anos começavam a deixá-la deprimida.
Achou melhor, então, parar de pensar para que tal pequena tristeza não deixasse sua desanimada viagem mais desanimada do que já estava.
E resolveu pensar em nada.
E ficou ali, em nada pensando, pensando, pensando.
:: Victor Sala 7:03 PM [+] ::
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:: Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007 ::

XI



E agora eu descobri o tamanho da minha necessidade por ela.
Não é algo comum. É quase doentio. Um vício por ter um abraço diário, uma palavra de conforto.
É como se eu tivesse programado minha mente para perdê-la num certo período e o adiante desse período tenha desregulado toda e qualquer...me foge a palavra, como sempre. (...) Me desregulado toda e qualquer visão de futuro.
Eu simplesmente não sei como será minha vida sem ela, já que se tornara um hábito tão cotidiano ver seu rosto alegre e seus pulinhos todo dia.
Eu simplesmente não sei.
E não faço a mínima idéia do que será o amanhã sem ela.
Porque eu preciso dela. É como a fórmula de Pitágoras. Como a gramática da Língua Portuguesa.
E eu tento não admitir, tenho consertar, tento chorar, mas tudo é impotente.
É inevitável. É deprimente.
É triste. Demais.

Porque eu preciso dela.
Sem ela... eu não sou.
:: Victor Sala 8:52 PM [+] ::
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:: Terça-feira, Fevereiro 13, 2007 ::

X



Eu sinto que minha latência chegou num ponto tão crítico que nem as palavras me servem de consolo.
:: Victor Sala 3:45 PM [+] ::
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:: Domingo, Fevereiro 11, 2007 ::

IX



Eu tenho sentido que cada vez mais eu me torno um ser latente.
Entenda que minha latência se encaixa num estado onde as coisas dificilmente me abalam, tanto para a felicidade quanto para a tristeza.
Essas acontecem sem que haja uma reação grandioza em mim, que estou em latência.
Como um vegetal sentimental.
Um vegetal pensante que não consegue sentir pois os sentimentos são/estão latentes, dentro dele.
E que espera, um dia, que haja uma explosão de todos os sentimentos para que, enfim, o vegetal possa morrer sentindo.
:: Victor Sala 8:05 PM [+] ::
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VIII



Minhas mãos tremem. Eu tento buscar palavras para descrever o que sinto no momento.
Como explicar? É uma espécie de arrependimento. Misturado ao medo.
Medo.
Eu tenho medo.
Não o medo da Regina Duarte em relação ao governo Lula.
Mas uma espécie de angústia, sabe?
Não. Não sabe.
Eu me sinto...um lixo.
Isso! Um lixo.
Uma espécie de escória da humanidade, onde todos deveriam pisar, e apedrejar, e guilhotinar.
Uma...uma...me foge a palavra, como sempre fugiu.
Eu me sinto...nojento.
Como se eu não devesse pertencer a nada.
Eu deveria ser socado.
Não, isso não é um convite para você me socar.
Eu deveria...deveria...ser socado por mim mesmo.
Até porque só eu sei a magnitude do que eu possa ter feito.
Me fogem as palavras, o ar me foge. Me foge tudo.
Eu...eu não me mereço.
Estou aberto a apedrejamentos.
:: Victor Sala 1:06 PM [+] ::
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:: Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007 ::

VII



Acabei de reparar que meu preconceito não é raçafísicosexocredo. O que eu não quero é quem não é feliz como é. Ou melhor, não gosto de quem não é feliz pelo ser. Seja ele meu, teu, dele ou de si próprio.

Porque de desanimado, por agora, eu já me basto em mim mesmo.
:: Victor Sala 12:54 PM [+] ::
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:: Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007 ::

VI



Toda a minha vida, pelo menos 13 anos dela, eu passei rodeado por gente muito mais velha que eu. Minha mãe me teve com 40 anos. Fui criado com ela, minha avó e meu pai, que devia ter uns 30 e muitos. Meus irmãos todos eram meio-irmãos mais velhos. O mais novo, por exemplo, tem 27. A mais velha, 36 ou 37.
Não gostava das poucas crianças da minha rua, quando morei pela primeira vez em Bangu. Na época, aos cinco anos, minha melhor amiga - melhor amiga aqui entra no sentido de "eu passava horas conversando com ela" era uma senhora de uns 70 anos e minha vizinha com quem passava horas conversando e brincando também tinha lá para uns 10 ou 12.
No colégio, eu era um dos mais novos da turma, se não o mais novo.
Quando morei em Grajaú, morei num prédio ausente de crianças com quem falar ou brincar. Minhas companhias eram apenas D. Antônia, D. Flora (de uns 50 e 70 anos, respectivamente), livros e jogos de computador. A rua também era sem jovens.
Em outro prédio, ainda em Grajaú, meus colegas e amigos (eu já com 12-13 anos) tinham 15.
De volta a Bangu, com 14 anos atualmente, meus amigos ainda têm 15-16-17 anos.

Isso deve explicar minha anti-socialidade.
:: Victor Sala 5:07 PM [+] ::
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:: Terça-feira, Fevereiro 06, 2007 ::

V



Um dia eu descobri que tudo muda. Ou que eu só via as coisas da maneira errada. Quando eu era pequeno, acreditava que o mundo era lindo, que tudo ia dar certo, que as pessoas eram boas e que era querido.
Eu via as árvores verdes e cheias de flores, pessoas se importando comigo, não tinha preocupações. E tudo passou. Tudo passará.
A medida que os anos correm, eu parecia fechar os olhos e ver luzes voando em alta velocidade em volta da minha mente, como se tudo começasse a girar cada vez mais rápido. E não necessariamente passar cada vez mais rápido.
As pessoas foram mudando. Todas as pessoas boas passaram a ser ruins (ou fui eu quem passou a ver o lado ruins delas), o mundo que era lindo passou a ser feio (ou fui eu quem passou a ver o lado feio dele) e as árvores que eram verdes, passaram a ser cinzas (ou você as vê queimando).
E o mais sufocante é que não se pode gritar. Gritar. Gritar.
Enquanto as luzes passam por mim, elas me apertam, suprimem de uma maneira agoniante.
E num gesto desesperado eu...eu grito. Mas grito pra dentro, aumentando ainda mais meu ódio, meu...não sei direito explicar qual o sentimento adequado para essa hora. Uma espécie de dor, entende? Um aperto...uma angústia.
Não que eu esteja triste ou deprimido.
Mas minha vontade no momento é de gritar. Mesmo que decibéis não sirvam para muita coisa no momento.
E não seria um gritar realmente gritar. Seria algo para não ser ouvido: um grito mudo que todos ouvissem, mas não ouvissem.
Impotência. Impotência. Impotência.
Não há nada a fazer. A festa vai acabar, tudo vai morrer e será sempre assim até o planeta se aquecer demais.
Enfim.
:: Victor Sala 6:16 PM [+] ::
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:: Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007 ::

IV


Lado A


Ela se dizia uma menina triste. Particularmente, eu não via do que reclamar de sua vida: ela pertencia à classe média-alta (digo, tinha "dinheiro o suficiente para viver bem", já que pertencer à classe média é uma espécie de moda brasileira), morava bem, tinha pais e amigos. Eu a olhava ali, reclamando, e sentia que talvez faltasse alguma coisa, mas que não cabia a mim descobrir o que era, afinal ela se recusava a contar. Eu me perguntava o que, afinal, a fazia tão triste assim. Ela simplesmente negava dizendo "Deixe para lá".
As vezes - não no mesmo dia - ela reclamava dos pais. Eles cobravam muito dela.
Não sei, acho que isso não chega a ser um motivo para tristeza de fato, mas os olhos dela me contavam algo vazio...ou era apenas impressão. Não sei.
Então ela ficava lá - isso no mesmo dia - com uma cara desapontada, esperando que tudo melhorasse de repente.

Lado B

"Ela não sabe o que é tristeza de verdade. É apenas uma menina de 15 anos mimada que discute aqui e ali com os pais e se acha triste por isso."
Enquanto isso, a outra ia me contando uma história triste sobre sua prima. Eu olhava aqueles olhos marejados e sentia uma tristeza profunda, como se me arrancassem um sentimento, assim, do nada. Ela chorava muito. Achava injusto que uma menina assim pudesse reclamar da vida que tinha, parecendo tão perfeita, tão normal.
Eu apenas ouvia - chorando por dentro - ouvia me sentindo impotente em ajudá-la. Chorava por dentro por ter um sentimento de querer ajudar a todos, de pena para sempre, de não poder ver alguém triste.
De certa forma, eu concordava com ela. Não achava certo.

Esse texto ficou uma merda.
Já escrevi melhor.
:: Victor Sala 11:49 PM [+] ::
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