Aleatório nada.
 
Aleatório? Nada. Nada aleatório. Nada aleatório.
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Terça-feira, Fevereiro 27, 2007

   

XIII



Deitado naquela rede, tudo parecia abismo.
E meu pai me empurrava.
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Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007

   

XII



Ela passou a tarde ali, naquele banco de madeira meio malfeito, mas que de certa forma era agradável de se sentar e admirar a paisagem pobre. Ela observava os poucos transeuntes do local, uma cidadela praiana sem graça.
Ela não vira muitas coisas ali, sentada no banco. Vira, certa hora um menino bonito que viera com o pai, de carro comprar gelo e saíra, sem dar uma palavra com ela. Uma bela história de amor. Ele chega, não olha para ela, não fala com ela, vai embora sem notá-la e tudo fica por isso mesmo. Ela se riu.
Lá, sentada, ela não tinha muitas preocupações. No máximo em não parecer muito vulgar do jeito que estava vestida. Não que estivesse, de fato, vulgar, mas não sabia muito sobre aquela região e aquela igreja evangélica a incomodava. Até que se sentiu reconfortada pela menina que passava com shorts de, no máximo, quinze centímetros.
Um carro anunciando o circo passou e ela lembrou que havia um bom tempo que não ia num (ah, como sinto falta do pronome Y, como no francês), até porque pensava que não resistiria e fugiria a trabalhar com os palhaços, trapezistas e malabaristas. Não que tivesse habilidade, mas...enfim.
Não que ela gostasse de fuxicos, mas ela achava tão engraçada e curiosa a conversa dos (pré-)adolescentezinhos vizinhos seus.
E os (pré-)adolescentezinhos conversando lembravam-na que seu aniversáario que aproximava, mesmo que não estivesse nem um pouco animada com isso, afinal sabia que ninguém a ligaria.
Seus próximos dezesseis anos começavam a deixá-la deprimida.
Achou melhor, então, parar de pensar para que tal pequena tristeza não deixasse sua desanimada viagem mais desanimada do que já estava.
E resolveu pensar em nada.
E ficou ali, em nada pensando, pensando, pensando.
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Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007

   

XI



E agora eu descobri o tamanho da minha necessidade por ela.
Não é algo comum. É quase doentio. Um vício por ter um abraço diário, uma palavra de conforto.
É como se eu tivesse programado minha mente para perdê-la num certo período e o adiante desse período tenha desregulado toda e qualquer...me foge a palavra, como sempre. (...) Me desregulado toda e qualquer visão de futuro.
Eu simplesmente não sei como será minha vida sem ela, já que se tornara um hábito tão cotidiano ver seu rosto alegre e seus pulinhos todo dia.
Eu simplesmente não sei.
E não faço a mínima idéia do que será o amanhã sem ela.
Porque eu preciso dela. É como a fórmula de Pitágoras. Como a gramática da Língua Portuguesa.
E eu tento não admitir, tenho consertar, tento chorar, mas tudo é impotente.
É inevitável. É deprimente.
É triste. Demais.

Porque eu preciso dela.
Sem ela... eu não sou.
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Terça-feira, Fevereiro 13, 2007

   

X



Eu sinto que minha latência chegou num ponto tão crítico que nem as palavras me servem de consolo.
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Domingo, Fevereiro 11, 2007

   

IX



Eu tenho sentido que cada vez mais eu me torno um ser latente.
Entenda que minha latência se encaixa num estado onde as coisas dificilmente me abalam, tanto para a felicidade quanto para a tristeza.
Essas acontecem sem que haja uma reação grandioza em mim, que estou em latência.
Como um vegetal sentimental.
Um vegetal pensante que não consegue sentir pois os sentimentos são/estão latentes, dentro dele.
E que espera, um dia, que haja uma explosão de todos os sentimentos para que, enfim, o vegetal possa morrer sentindo.
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VIII



Minhas mãos tremem. Eu tento buscar palavras para descrever o que sinto no momento.
Como explicar? É uma espécie de arrependimento. Misturado ao medo.
Medo.
Eu tenho medo.
Não o medo da Regina Duarte em relação ao governo Lula.
Mas uma espécie de angústia, sabe?
Não. Não sabe.
Eu me sinto...um lixo.
Isso! Um lixo.
Uma espécie de escória da humanidade, onde todos deveriam pisar, e apedrejar, e guilhotinar.
Uma...uma...me foge a palavra, como sempre fugiu.
Eu me sinto...nojento.
Como se eu não devesse pertencer a nada.
Eu deveria ser socado.
Não, isso não é um convite para você me socar.
Eu deveria...deveria...ser socado por mim mesmo.
Até porque só eu sei a magnitude do que eu possa ter feito.
Me fogem as palavras, o ar me foge. Me foge tudo.
Eu...eu não me mereço.
Estou aberto a apedrejamentos.
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Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007

   

VII



Acabei de reparar que meu preconceito não é raçafísicosexocredo. O que eu não quero é quem não é feliz como é. Ou melhor, não gosto de quem não é feliz pelo ser. Seja ele meu, teu, dele ou de si próprio.

Porque de desanimado, por agora, eu já me basto em mim mesmo.
posted by Vicks in the sky with diamonds 12:54 PM Comments:


Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007

   

VI



Toda a minha vida, pelo menos 13 anos dela, eu passei rodeado por gente muito mais velha que eu. Minha mãe me teve com 40 anos. Fui criado com ela, minha avó e meu pai, que devia ter uns 30 e muitos. Meus irmãos todos eram meio-irmãos mais velhos. O mais novo, por exemplo, tem 27. A mais velha, 36 ou 37.
Não gostava das poucas crianças da minha rua, quando morei pela primeira vez em Bangu. Na época, aos cinco anos, minha melhor amiga - melhor amiga aqui entra no sentido de "eu passava horas conversando com ela" era uma senhora de uns 70 anos e minha vizinha com quem passava horas conversando e brincando também tinha lá para uns 10 ou 12.
No colégio, eu era um dos mais novos da turma, se não o mais novo.
Quando morei em Grajaú, morei num prédio ausente de crianças com quem falar ou brincar. Minhas companhias eram apenas D. Antônia, D. Flora (de uns 50 e 70 anos, respectivamente), livros e jogos de computador. A rua também era sem jovens.
Em outro prédio, ainda em Grajaú, meus colegas e amigos (eu já com 12-13 anos) tinham 15.
De volta a Bangu, com 14 anos atualmente, meus amigos ainda têm 15-16-17 anos.

Isso deve explicar minha anti-socialidade.
posted by Vicks in the sky with diamonds 5:07 PM Comments:


Terça-feira, Fevereiro 06, 2007

   

V



Um dia eu descobri que tudo muda. Ou que eu só via as coisas da maneira errada. Quando eu era pequeno, acreditava que o mundo era lindo, que tudo ia dar certo, que as pessoas eram boas e que era querido.
Eu via as árvores verdes e cheias de flores, pessoas se importando comigo, não tinha preocupações. E tudo passou. Tudo passará.
A medida que os anos correm, eu parecia fechar os olhos e ver luzes voando em alta velocidade em volta da minha mente, como se tudo começasse a girar cada vez mais rápido. E não necessariamente passar cada vez mais rápido.
As pessoas foram mudando. Todas as pessoas boas passaram a ser ruins (ou fui eu quem passou a ver o lado ruins delas), o mundo que era lindo passou a ser feio (ou fui eu quem passou a ver o lado feio dele) e as árvores que eram verdes, passaram a ser cinzas (ou você as vê queimando).
E o mais sufocante é que não se pode gritar. Gritar. Gritar.
Enquanto as luzes passam por mim, elas me apertam, suprimem de uma maneira agoniante.
E num gesto desesperado eu...eu grito. Mas grito pra dentro, aumentando ainda mais meu ódio, meu...não sei direito explicar qual o sentimento adequado para essa hora. Uma espécie de dor, entende? Um aperto...uma angústia.
Não que eu esteja triste ou deprimido.
Mas minha vontade no momento é de gritar. Mesmo que decibéis não sirvam para muita coisa no momento.
E não seria um gritar realmente gritar. Seria algo para não ser ouvido: um grito mudo que todos ouvissem, mas não ouvissem.
Impotência. Impotência. Impotência.
Não há nada a fazer. A festa vai acabar, tudo vai morrer e será sempre assim até o planeta se aquecer demais.
Enfim.
posted by Vicks in the sky with diamonds 6:16 PM Comments:


Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007

   

IV


Lado A


Ela se dizia uma menina triste. Particularmente, eu não via do que reclamar de sua vida: ela pertencia à classe média-alta (digo, tinha "dinheiro o suficiente para viver bem", já que pertencer à classe média é uma espécie de moda brasileira), morava bem, tinha pais e amigos. Eu a olhava ali, reclamando, e sentia que talvez faltasse alguma coisa, mas que não cabia a mim descobrir o que era, afinal ela se recusava a contar. Eu me perguntava o que, afinal, a fazia tão triste assim. Ela simplesmente negava dizendo "Deixe para lá".
As vezes - não no mesmo dia - ela reclamava dos pais. Eles cobravam muito dela.
Não sei, acho que isso não chega a ser um motivo para tristeza de fato, mas os olhos dela me contavam algo vazio...ou era apenas impressão. Não sei.
Então ela ficava lá - isso no mesmo dia - com uma cara desapontada, esperando que tudo melhorasse de repente.

Lado B

"Ela não sabe o que é tristeza de verdade. É apenas uma menina de 15 anos mimada que discute aqui e ali com os pais e se acha triste por isso."
Enquanto isso, a outra ia me contando uma história triste sobre sua prima. Eu olhava aqueles olhos marejados e sentia uma tristeza profunda, como se me arrancassem um sentimento, assim, do nada. Ela chorava muito. Achava injusto que uma menina assim pudesse reclamar da vida que tinha, parecendo tão perfeita, tão normal.
Eu apenas ouvia - chorando por dentro - ouvia me sentindo impotente em ajudá-la. Chorava por dentro por ter um sentimento de querer ajudar a todos, de pena para sempre, de não poder ver alguém triste.
De certa forma, eu concordava com ela. Não achava certo.

Esse texto ficou uma merda.
Já escrevi melhor.
posted by Vicks in the sky with diamonds 11:49 PM Comments:


Domingo, Fevereiro 04, 2007

   

III



Hoje - na verdade agora - me peguei pensando no que seria de mim ao terminar o meu curso no colégio. Fiquei imaginando (ah, como queria algo que se assemelhasse melhor ou parecesse mais com verbo "to wonder" do inglês) como eu me viraria sem os abraços diários de Aline, de Viviane e de todas as pessoas que tenho contato diário e que quero bem (paro por agora de citar nomes para que não haja distinções claras. Mas creio que os que se identificarem com o texto saberão que falo deles).
O contato diário por pelo menos 3 anos com eles me fez ter uma espécie de afeição estranha até pelas pessoas que não me faziam muita diferença, do tipo que eu sentiria falta de toda a sala. E talvez até sentisse -sentirei?- falta dos que não gosto de verdade, pela falta de alguém para odiar e querer mal.
Me pego imaginando também se o Victor que sou hoje seria o mesmo Victor que é hoje sem a presença diária de cada um deles na minha vida, como se de alguma forma todos montassem uma parte do quebra-cabeças da minha personalidade confusa atual.
Quatro anos (quinta série, sexta série, sétima série e oitava série) se passaram de uma maneira tão rápida que as vezes tenho medo de que os próximos três anos (primeiro, segundo e terceiro anos do ensino médio) passem com tal velocidade que eu não consiga aproveitar os 23 da forma que deveria...ou ainda da forma que gostaria.
Recentemente, tive uma pequena prova do que será ficar sem as presenças diárias dos 23 (que, agora, são 22 e provavelmente serão menos de 20 no ano que vem).
Já era um hábito chegar na sala de aula às seis-e-alguma-coisa-da-manhã e encontrar algumas das pessoas queridas e ir encontrando outras a medida que as aulas se aproximavam de começar.
E uma dessas pessoas era o tal menino Daniel. Não que fôssemos grandes amigos - ah! Como amo Clarice!, mas eu já me acostumara tanto em ouvir suas piadas sem-graça, em rir do que ele fazia e falava, que nem me dera conta de como foi grande a falta que ele fez e de como será mais ainda daqui para frente.

Hoje, eu só quero aproveitar (digo APROVEITAR e não ME APROVEITAR) meus amigos e colegas o tanto quanto eu ... foge-me o verbo. Devo? Quero? Posso?
Algo por aí.
posted by Vicks in the sky with diamonds 7:48 PM Comments:


 

II



Hoje, num estado levemente alcoolizado, parei por alguns segundos e refleti sobre meu primo. Na verdade, refleti sobre a curiosa maneira na qual ele se alienava dos acontecimentos do mundo.
Talvez por morar mais longe ou por puro capricho, ele tinha uma maneira peculiar de se ausentar de todo e qualquer problema referente ao mundo.
Nunca o vira falar sobre a AIDS na África ou o aquecimento global. Suas histórias mexiam com minhas emoções - fossem elas as tristezas, as alegrias ou as surpresas - mexiam com minhas emoções de um modo estranho, como se ele nunca tivesse sabido de tais problemas ou ainda que estes nunca tivessem acontecido antes.
Ele falava sobre coisas julgadas na maioria das vezes banais, como as músicas que ele compunha, as aventuras de mais um dia na roça - ele mora numa região meio interiorana do Rio de Janeiro, mesmo que estude Matemática no Centro - e todas essas histórias me cativavam como se eu não tivesse mais nada a me preocupar, apenas seus quase-problemas.
O curioso de tudo é que sempre cobro das pessoas uma certa carga de problemas, mas dele, justamente dele, nunca me passara pela cabeça perguntar o que isso tudo tinha a ver com a problemática atual do mundo.
Não que ele fosse bom contador de histórias - aliás ele o fazia de uma maneira tão ruim quanto a minha: cheia de interrupções, mas estas eram de uma alienação tão curiosa que me deixavam à parte de todo aquecimento global, toda fome, tudo.
Ele compunha músicas - sim, meu primo é o que se pode dizer de um poeta....uma pessoa poética talvez...com uma poesia ímpar de alguém que não se preocupa com o que acontece com o mundo atual, mas não causa diferenças gritantes na não-preocuoação sobre um pé-de-cana, ou sobre alguma coisa em inglês furado,ou ainda sobre amor e falta (falta essa de preocupação para com o amor?)
Lembro de um trecho de uma música que dizia alguma coisa sobre "cantar uma música sobre você num bar vazio e, ao abrir os olhos, não haver mais ninguém ouvindo".

Enfim, meu primo é uma pessoa curiosamente peculiar.
posted by Vicks in the sky with diamonds 3:54 AM Comments:


Sábado, Fevereiro 03, 2007

   

I



Sabe, as vezes eu acho curiosa a maneira como as pessoas do lugar onde vivo - terras muito distantes de tudo e de todos - onde vivo foram gradualmente perdendo suas capacidades criadoras e se tornando cada vez mais iguais umas às outras, como num velho discurso meu de que todos seriam - ou são - soldados verdes de plástico com um único objetivo: perpetuar a espécie.e
De repente, vejo-me rodeado por "adolescentezinhos" - escrevo entre aspas por ainda ser um adolescentezinho, mesmo que problemático e anormalmente estranho - com as mesmas roupas, o mesmo corte de cabelo, talvez até a mesma tonalidade. Só os faltava ter a mesma cara...busca incessante.
E os diferentes de tudo isso, sem as mesmas roupas, o mesmo corte de cabelo e talvez até a mesma tonalidade são cruelmente excluidos e afastados.
Não, eu não defendo aqui a tolerância aos diferentes, até porque já tenho meu saco enchido por esses discursos pró-diferença(pausa.
Ok, eu defendo aqui a tolerância aos diferentes.
Mas talvez nem seja aquela diferença batida, da cor, da orientação sexual, da origem, et cètera.
Defendo aqui o respeito aos diferentes por diferença mesmo, às diferenças diferentes.
Ah, esqueçam isso tudo.
Paro de escrever por que me confundo.

Um beijo.
posted by Vicks in the sky with diamonds 11:10 PM Comments:


 
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